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  • Tatiane Fuggi

Desamparo existencial

Atualizado: 27 de Nov de 2019

"Eu fiquei grávida num domingo de manhã. Tinha um cobertor azul de lã escura. Mateus me pegou pelo braço e disse que ia me fazer a pessoa mais feliz do mundo"(primeiro diálogo do filme O céu de Suely). Na complexa trama das relações amorosas e familiares existem discursos de desamparo perante o outro, no mínimo interessantes, mesmo todos estando avisados de que não existe a tão sonhada completude, tampouco a metade da laranja. Mas de que se trata este desamparo então?


O Filme nacional "O céu de Suely" (2006) é precioso para fazermos estas e outras reflexões. Acompanhamos a personagem Hermila durante todo o filme em sua deriva existencial, por experimentar o desamparo.


Vivenciar um término de relação de maneira súbita, certamente não é uma experiência simples. Rompimentos assim, trazem sensação de dor profunda e sentimentos como raiva, ansiedade e tristeza por um período de tempo e são muito comuns. Mas isso pode variar de pessoa para pessoa.


Conseguir elaborar o luto é um esforço, mas antes disso é preciso falar do que se sente. Há um tratamento na dor quando podemos falar dela. Hermila pouco fala e ao invés disso, coloca seu corpo em ação para ser rifado. O que chamamos em Psicanálise de acting out. Uma cena delicada e importante nos dá uma pista do que se passa com a personagem. Na rodoviária, esperando seu marido vir de São Paulo após tentar contato inúmeras vezes, observa os passageiros descerem do ônibus na esperança de reencontrar seu amor. Desamparada, sozinha e com a experiência no corpo de que foi abandonada, caminha desolada, onde lê-se: LIXO.


Hermila vai em busca de algo que não sabe o que é. Pretende ter uma vida melhor do que seus familiares tiveram. "É isso que você quer?" Diz sua avó, quando sabe que a neta irá partir. Ir em busca de uma nova vida a fará diferente do que sua avó foi? Quais são as possibilidades de mudança que Hermila encontra ao olhar o céu?


E você, acha possível desejar algo diferente do que sua família instituiu como desejo ou modo de vida?


SINOPSE: Hermila (Hermila Guedes), tem 21 anos, nasceu e foi criada na pequena cidade de Iguatu - Ceará. Grávida, tenta a vida em São Paulo com o namorado. Meses depois, não conseguindo emprego, porém, volta à cidade natal. Aguarda por um mês o retorno do namorado, pai da criança, que some, sem deixar pistas. Ao perceber que foi abandonada, resolve mais uma vez fugir daquele lugar, mas desta vez, para Porto Alegre, onde talvez existam condições melhores. Sem dinheiro para a viagem, ela adota o pseudônimo de Suely, e resolve rifar o próprio corpo entre os homens da cidade. O vencedor terá o que ela define "Uma Noite no Paraíso". Sua atitude gera muita polêmica entre o povo local, e principalmente entre sua família.


Tatiane Fuggi - Psicóloga e Psicanalista. Analista praticante da Escola Brasileira de Psicanálise - Seção Santa Catarina. 18 anos de experiência clínica. Especialista em Relações Familiares e Amorosas.

Contato: 48 99636-2386

tatianefuggi@hotmail.com

Facebook: psicologatatianefuggi

Instagram: @psicologatatianefuggi

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