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  • Tatiane Fuggi

Familiares infamiliares


O Natal chegou. E com ele, os familiares-familiares e os familiares-infamiliares. Amor e ódio, os costumes bizarros, as exóticas misturas alimentares, o calor infernal. Junto a isso, o desejo por se refrescar 24 horas por dia; aquela tia chata perguntando se você já está namorando ou casou-se; os mais velhos falando da política do país, que anda mal das pernas; a reclamação infinita pela convivência forçada e difícil nas intermináveis filas de mercado, para aqueles que tem o privilégio de comer.


Existem também os bons laços de afeto. O desejo de estar junto para falar mal da vida alheia, tomar sorvete no shopping, gargalhar sem pressa, assistir às retrospectivas de fim de ano, encontrar o Papai Noel e retirar a roupagem adulta. Brilhar os olhos, brilhar a pele. E repetir o mantra mesmo sem acreditar fielmente: “dias melhores virão”.


Mas em se tratando de família e suas narrativas, podemos lembrar que a Psicanálise nos diz que somos falados pela família. Antes mesmo de nascermos já existiam os tabus, crenças e descrenças familiares. Ao conviver com outros grupos, possivelmente vacilarão estes conceitos. Não sem engôdos, reflexões e conflitos.



Meet the Parents, comédia estadunidense dos anos 2000, que teve por tradução brasileira “Entrando numa fria” tem Robert De Niro e Ben Stiller em 108 minutos de cenas familiares hilárias. Os enganos e tropeços perante a família fazem o espectador se identificar com o lugar do novo genro, Greg.


Em visita para conhecer os pais de sua namorada Pam (Teri Polo), Greg (Ben Stiller) vivencia as mais diversas situações inusitadas dentro daquele grupo familiar que não é o seu, principalmente com seu sogro Jack Byrnes (Robert De Niro). As piadas que não fazem sentido; os gestos e narrativas do personagem; a forma de responder o interrogatório do sogro, ou dos outros membros da família; os incidentes são a composição do choque entre famílias.



O psicanalista Miquel Bassols nos lembra, na Revista Fapol Online – Lacan XXI, que “A família nos fala(…) A família, com seus assuntos e seus segredos, seus enredos e seus sintomas, seus encontros e desencontros, e também com suas novas configurações, segue, com efeito, falando-nos do mal-estar do sujeito contemporâneo”. É na família que transmitimos, não intencionalmente, aquilo que é mal falado, mal dito desde nossos bisavós. E que na ceia de Natal, retorna como as borbulhas do espumante e nunca pára de retornar à superfície familiar.


Psicóloga Tatiane Fuggi

CRP 12/10845

☎48 99636-2386

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